Depois de sete meses, a Campanha de Arrecadação às Vítimas do Terremoto no Japão, realizada por cinco entidades nipo-brasileiras, foi encerrada no último dia 30 de setembro.
Esse foi o anúncio feito durante entrevista coletiva realizada no dia 13 de outubro, com a presença dos presidentes Kihatiro Kita, do Bunkyo; Yoshiharu Kikuchi, do Enkyo; e Akinori Sonoda do Kenren, acompanhado por seu vice-presidente Yasuo Yamada.
De acordo com os presidentes do Bunkyo e do Enkyo, estão sendo tomadas as providências para o encerramento das contas bancárias, sendo que o presidente Sonoda, do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), anunciou que a conta bancária da entidade permanecerá aberta até o mês de março do próximo ano.
“Recebemos informações de que o governo japonês irá manter a Campanha até o próximo ano e, portanto, também decidimos não fechar a conta no Banco do Brasil que abrimos com essa finalidade”, explicou o presidente Sonoda.
Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil – KENREN
CNPJ: 46.568.895/0001-66
Banco do Brasil – Ag.: 1196-7 – C.C.: 29921-9
Informações: (11)3277-8569, (11)3277-6108 e (11)3399-4416
Fax: (11)3207-5224 / info@kenren.org.brEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
O movimento e a arrecadação
O movimento de arrecadação de ajuda financeira às vítimas do terremoto e tsunami teve início no mesmo dia ao desastre – 11 de março – envolvendo a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo, Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo – Enkyo, Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil – Kenren, Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil e Aliança Cultural Brasil-Japão. Na ocasião, para oferecer mais comodidade aos doadores foi decidida a abertura de quatro contas bancárias.
A Campanha teve duas fases distintas. A primeira foi até o dia 31 de maio, desenvolvida em conjunto com as cinco entidades. Terminado esse prazo, o relatório financeiro desses recursos (depósitos, remessa ao Japão e pagamento das taxas) foi encaminhado para a empresa de auditoria Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes para que seja examinada essa movimentação.
Até o dia 31 de maio a arrecadação total foi de R$ 3.259.721,42, tendo sido remetido à Cruz Vermelha do Japão o total de R$ 3.155.008,54 (157.742.807 ienes).
Na segunda fase, ou seja, até o dia 30 de setembro, juntas, as três entidades (Bunkyo, Enkyo e Kenren) enviaram para a Cruz Vermelha R$ 514.608,02 equivalente a 21.553.224 ienes.
Avaliação da Campanha
“Sem dúvida, o resultado da Campanha superou às nossas expectativas”, disse o presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita. “Sabemos que o povo brasileiro é muito solidário, mas ficamos bastante admirados com o grau de mobilização em prol do povo japonês, envolvendo desde jovens até idosos do país todo”.
Já o presidente do Enkyo, Yoshiharu Kikuchi, destacou que esse sucesso da Campanha se deve também à “confiança que o povo brasileiro deposita na comunidade nipo-brasileira”.
O presidente Akinori Sonoda, do Kenren, disse que “ficou maravilhado com a manifestação de solidariedade do país ao povo japonês”, ressaltando que, no pós-guerra, este foi o maior resultado que se chegou com uma campanha de arrecadação de recursos coordenada pelos nipo-brasileiros em prol do Japão. De acordo com ele, isso demonstra que, além da contribuição da comunidade nipo-brasileira, a Campanha também contou com a participação dos não descendentes de japoneses.
Nesse balanço conjunto, os presidentes destacaram que, além do depósito nas quatro contas bancárias, outras entidades preferiram enviar recursos diretamente para os governos de suas províncias, outras os encaminharam ao Consulado Geral do Japão.
Questionado por um dos jornalistas sobre a notícia de que a Cruz Vermelha estaria “devolvendo” as doações, o presidente Sonoda apontou que houve equívoco no entendimento dessa informação. Explicou que, de acordo com levantamento prévio feito sobre o auxílio aos desabrigados, o governo local recebeu determinado montante em recursos financeiros. No entanto, muitas das possíveis vítimas não foram localizadas para receber essa ajuda e, sendo assim, a autoridade local decidiu “devolver” o valor excedente até que a situação se normalize e as pessoas possam ser encontradas.
“Não significa que as pessoas não estão querendo os recursos enviados para a Cruz Vermelha, muito pelo contrário, as autoridades locais estão seriamente preocupadas em empregar esses recursos com a maior lisura possível”, explicou o presidente Sonoda.
Os esforços dos colaboradores/doadores
Para arrecadar recursos em prol das vítimas do terremoto e tsunami, foram adotadas as mais diferentes iniciativas. Houve, por exemplo, entidades como a UCES (União Cultural e Esportiva da Sudoeste) que envolveu as entidades associadas de todas as cidades para arrecadação. Ou ainda, como aconteceu com a ACESG – Associação Cultural Esportiva de São Gotardo, de Minas Gerais, que reuniu doações das famílias associadas. Esta mesma iniciativa foi adotada pelo NCC – Nippon Country Club.
Também houve escolas que, com a mobilização para a arrecadação de recursos, concomitantemente enfocou diversos aspectos relacionados à história e cultura japonesa junto aos alunos.
Outras entidades, como a ANIR – Associação Nipo-Brasileira de Roraima (RO), realizaram um amplo movimento na cidade envolvendo escolas (ensino fundamental e universitário) e a população em geral.
Já a região Sorocabana, além da campanha de arrecadação envolvendo várias entidades de classe, principalmente em Presidente Prudente, realizou um show com cantores sertanejos. Em Ubatuba, houve o “Domingo Solidário/Japão”, com várias atrações culturais e gastronômicas. O mesmo ocorreu na Associação Nipo-Catarinense (Santa Catarina), em Campinas e entre outras cidades.
A finalizar esta Campanha, a organização responsável pela maior doação foi a Seicho-no-Ie, que destinou R$ 462.548,63 resultante de um esforço de seus adeptos em nível nacional. O maior doador individual pessoa física, e que não deseja ser identificado, doou R$ 200 mil reais.
Nas contas bancárias do Bunkyo, grande parte dos doadores não fez questão de se identificar. É importante destacar também que foram recebidas muitas doações de R$ 2,00, R$5,00 e R$ 10,00 – o que leva a acreditar que todos fizeram questão de demonstrar seu sentimento de solidariedade ao povo japonês, depositando a quantia de sua capacidade financeira. É o que os japoneses chamam de “kimoti” (sentimento).
ATÉ 31/05/2011
Entidades Arrecadações Remessas
Enkyo R$ 363,162.72 R$ 336,914.56 ¥16,515,419
Kenren R$ 859,709.80 R$ 849,594.01 ¥43,732,662
Bunkyo R$ 2,036,848.90 R$ 1,968,499.97 ¥97,494,726
TOTAL 1 R$ 3,259,721.42 R$ 3,155,008.54 ¥157,742,807
APÓS 31/05/2011
Entidades Data Remessas
Enkyo 2011/7/6 R$ 33,229.36 ¥1,682,499
Kenren 2011/10/3 R$ 105,128.93 ¥4,266,596
Bunkyo 2011/9/28 R$ 194,809.73 ¥7,823,684
2011/10/13 R$ 181,440.00 ¥7,780,445
TOTAL 2 R$ 514,608.02 ¥21,553,224
TOTAL GERAL R$ 3,669,616.56 ¥179,296,031
