Neste sábado, dia 12, o Salão Nobre do Bunkyo recebe, às 13h, os autores indicados para receber o Prêmio Literário Nikkei 2011. Na ocasião será realizada homenagem especial a H. Masuda Goga (1911-2008), por sua contribuição à difusão do haicai no meio literário do Brasil.
A Comissão de Atividades Literárias do Bunkyo, organizadora do evento, adotou como critério de participação no prêmio a inscrição gratuita das obras, por seus autores, em três diferentes categorias. Acompanhe abaixo os premiados deste ano:
Prêmio Literário Nikkei para Obras em Japonês:
•Menção Honrosa
“Garimpeiro (Saikinfu) Taikenki ” de Aritomo Sugimoto
“Kuni Futatsu Se Oite” de Hitoshi Arai e Chisato Arai
“Cotia Seinen – Tsuma to Ayunda Kono Miti” de Cotia Seinen Renraku Kyoguikai
•Prêmio Especial
“Hatidori Nijyugoshunen Kinen Godoukushu” de Hisako Tomishige
Prêmio Literário Nikkei para Obras em Português (Prêmio Bunkyo de Literatura):
“Nihonjin” de Oscar Nakasato
“Contos do Sol Nascente” de André Kondo
“Retratos Japoneses no Brasil” (Literatura Mestiça), organizador: Marília Kubota
Prêmio Literário Nikkei para Mangá:
(vencedores do 2º Concurso Literário do Bunkyo: categoria Mangá)
1º lugar: “Benshi e Natsumi” de Aramir Gabrielli Pessoa
2º lugar: “Raízes”de Thomas Hideyuki Kimura Oka (Grupo)
3º lugar: “World Police” de Wilson Kohama
Nas categorias japonês e português todos recebem diploma e prêmio em dinheiro. Na categoria mangá, todos recebem diploma e o 1º lugar leva o prêmio em dinheiro oferecido pelo concurso.
O Prêmio Literário Nikkei é um incentivo a produção e a criação literária e, aos desenhistas de mangá, uma oportunidade de divulgar seu trabalho fora dos eventos diretamente relacionados ao mangá e anime, apresentando suas obras a um novo público.
Homenagem ao mestre H. Masuda Goga
Hidekazu Masuda, cujo nome haicaístico é Goga, é considerado um dos mais importantes haícaístas do Brasil. Foi seguidor do mestre Nenpuku Sato, conceituado haijin (poeta de haiku) que divulgou a prática do haiku entre os membros da comunidade japonesa no país. Dedicado orientador, principalmente dos jovens interessados em praticar esse poema em língua portuguesa (neste caso, conhecido como haicai), em maio de 1987, foi um dos fundadores do Grêmio Haicai Ipê, primeira associação dedicada à prática de haicai, buscando também uma forma estrutural em sua composição em português.
As pesquisas de H. Masuda Goga sobre o haicai iniciaram-se em 1936. Ele próprio acompanhou de perto o movimento haicaístico quando manteve relações de amizade com Jorge Fonseca Júnior e Guilherme de Almeida e trocavam idéias sobre a forma do haicai ser composto, tomando como exemplo o modelo clássico japonês, discutindo sua métrica.
Hidekazu Masuda, natural da província de Kagawa, emigrou com a família para o Brasil em 1929, após concluir o curso da Escola de Comércio Okura, de Osaka. Como todo emigrante japonês da época, trabalhou duro numa fazenda de café, no interior do estado de São Paulo. Quando jovem, ingressou e concluiu os estudos no Instituto de Prática Agrícola de São Paulo, mais conhecido como “Instituto M’Boy”. Mais tarde, exerceu diferentes atividades, como pintor de arte, redator-chefe do Jornal Paulista e correspondente do Mainichi Shinbum de Tóquio. Em 1981 publicou “História do Instututo M’Boy”, na qual narra toda a história da instituição, desde suas origens, atuação, resultados e a contribuição dos seus ex-alunos no desenvolvimento econômico, social e cultural da comunidade nipônica do Brasil.
Apaixonado do haiku, cultivou essa modalidade de arte poética desde a juventude e sempre batalhou pela difusão do haicai. Entre suas obras, foi autor do livro “O Haicai no Brasil” (1986), em japonês, tendo este trabalho de pesquisa alcançado grande reconhecimento no Japão e sido publicado em 1988 no Brasil, com a tradução de José Yamashiro. Em 1993, fundou o Grêmio Haicai Caleidoscópio, dedicado a produção de rengas (haicais encadeados), também em português. Em 2004, por indicação dos companheiros de Grêmio Haicai e Ipê, foi laureado com o “Masaoka Shiki International Haiku Prize”, em reconhecimento ao seu esforço na divulgação do haicai no Brasil.
– informações recolhidas em “O Haicai no Brasil” e no livro lançado em 2011, em comemoração ao centenário de Goga, organizado por sua sobrinha Teruko Oda (também haicaísta) “Goga e Haicai: um sonho brasileiro”.
