Brasileiros ajudaram também na limpeza das cidades destruídas pelo tsunami (Arquivo Pessoal)
Desde que o Japão foi atingido pelo pior terremoto seguido de tsunami da história, em 11 de março do ano passado, a comunidade brasileira que vive no país têm ajudado ativamente na recuperação do país. Grupos de voluntários organizam campanhas de doação de material e de alimentos, realizam atividades culturais e trabalham também na limpeza das cidades destruídas pelas ondas gigantes.
Crianças de Hamamatsu ajudam a carregar caminhão com doação de cobertores e endredons (Arquivo Pessoal)
“A sociedade brasileira tem orgulho da iniciativa da comunidade perante os japoneses”, disse o embaixador do Brasil em Tóquio, Marcos Bezerra Abbott Galvão. “Foi uma ajuda continuada ao longo do ano e não apenas no período mais dramático. O fato de não termos nenhum brasileiro vitimado é ainda mais significativo, já que é de maneira alguma uma ajuda voltada somente à própria comunidade”, elogiou.
Um dos grupos mais atuantes é o Movimento Brasil Solidário. Ele surgiu a partir da atividade de um voluntário brasileiro, Norberto Shinji Mogi, que foi atraindo outros interessados. O movimento ganhou o apoio da Embaixada do Brasil, de empresas e da própria comunidade. Desde o terremoto, foram realizadas diversas caravanas de assistência às vítimas na região, como a doação de 300 bicicletas e cinco mil litros de álcool para os moradores de Minami Sanriku (Miyagi), em abril do ano passado.
O empresário brasileiro Norberto Shinji é um dos voluntários brasileiros mais atuantes (Arquivo Pessoal)
Em outubro passado, o grupo contou com o apoio do ídolo brasileiro Pelé, que foi à Miyagi ajudar a distribuir cobertores e outras doações para os japoneses. A mais recente ação aconteceu no dia 11 de março deste ano, quando os japoneses lembraram o primeiro ano da catástrofe. Um grupo de cerca de 50 brasileiros de diversas regiões do Japão se reuniu em frente à embaixada brasileira para uma rápida cerimônia ecumênica.
Em outubro, o rei Pelé ajudou o Movimento Brasil Solidário na distribuição de cobertores e outras doações (Arquivo Pessoal)
Em seguida, dois ônibus levaram o grupo para Sendai e Natori, ambas cidade da província de Miyagi. Lá eles acenderam dezenas de luminárias feitas de bambu. “Elas representam a força que os brasileiros querem levar para os sobreviventes e também nossas lágrimas pelos que se foram”, explicou Mogi. A cidade portuária de Natori tem um significado especial para ele, que já esteve 13 vezes na região como voluntário. “Foi a primeira cidade que ajudei na limpeza”, recorda.
O grupo plantou também mudas de ipê roxo e de pinheiros. Mogi diz acreditar que o tsunami mudou não só a vida de quem perdeu tudo, mas de toda a população japonesa e também dos estrangeiros que vivem no país. “Fiz algumas amizades com moradores locais e eles perceberam que estamos realmente preocupados e que estamos fazendo as ações de coração”, contou o brasileiro.
Grupo de brasileiros foi prestar homenagem às vítimas no dia 11 de março passado (Arquivo Pessoal)
Outros grupos – Diversos outros grupos brasileiros de várias províncias japonesas também participam de ações voluntárias para ajudar as vítimas japonesas.
De Hamamatsu, província de Shizuoka, dois grupos estão sempre desenvolvendo atividades na região nordeste do país. O Brasil Fureai organizou doações de mantimentos e até um churrasco. Já o professor de caratê Tetsuyoshi Kodama agita a comunidade com campanhas de doação e também ajuda de solidariedade. “No Undokai Brasil-Japão, as crianças brasileiras e japonesas se confraternizaram, fizeram trabalhos artísticos e também escreveram mensagens às vítimas”, contou Kodama.
A organização não governamental ABC Japan fez diferente e levou um pouco de animação brasileira. O projeto “Levando Alegria” visitou cidades da província de Miyagi no final de janeiro deste ano. Quatro cantores se revezaram nos palcos improvisados de quatro abrigos nas cidades de Kesenuma, Natori e Ishinomaki. “Hoje, não é necessário mais levar só comida e bens materiais, é preciso levar carinho e apoio moral”, conta Hidekichi Hashimoto, um dos organizadores.
Quatro cantores do projeto “Levando Alegria” visitaram abrigos das cidades da província de Miyagi (Arquivo Pessoal)
Um ano depois
O terremoto de 9.0 de magnitude atingiu a região nordeste do Japão no dia 11 março do ano passado, exatamente às 14h46. Cerca de 20 minutos depois, ondas de até 40 metros de altura varreram tudo o que tinha pela frente no litoral nordeste do arquipélago.
Segundo dados da polícia japonesa, cerca de 15 mil pessoas morreram e outras 3 mil ainda estão desaparecidas. O trabalho de procura por restos mortais não parou até hoje e as autoridades dizem que vão continuar até encontrar a última vítima.
Cerimônias por todo o país lembraram um ano da tragédia (arquivo pessoal)
A tragédia no Japão se agravou depois que as ondas gigantes atingiram a usina nuclear de Fukushima, causando um acidente nuclear. Mais de 80 mil famílias foram obrigadas a deixar suas casas num raio de 30 quilômetros de distância da planta.
No dia 11 de março passado, diversas cerimônias em todo o país lembraram as vítimas da tragédia que mais matou pessoas desde a Segunda Guerra Mundial.
