Ichikawa: Evento à altura do recém reformado São Paulo Expo. Foto: Aldo Shiguti
Jornal Nippak – 1 de julho de 2016 11:15 AM

Se é verdade que depois da tempestade vem a bonança, o Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil – entidade responsável pela realização do Festival do Japão, que este ano chega a sua 19ª edição nos dias 8, 9 e 10 de julho, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (zona Sul de São Paulo), tem motivos de sobra para acreditar no sucesso do evento. Explica-se. Depois de conviver com incertezas, indefinições e reformas, este ano o ambiente é favorável ao evento. Um dos obstáculos que poderia prejudicar a edição deste ano foi superada com a aprovação da Lei de Incentivo à Cultura, a chamada Lei Rouanet. Desta forma, o festival não corre mais o risco de ser deficitário – a previsão inicial era de que o evento já começasse com um prejuízo de cerca de R$ 270 mil – , para alívio do presidente do Festival do Japão, Toshio Ichikawa.
Como consequência, o número de patrocinadores aumentou consideravelmente, o que possibilitará uma maior exposição do festival na mídia. Não bastasse, a GL Events, que administra o São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, concluiu as obras de reformas, incluindo um estacionamento com 4.500 vagas e novas vias de acesso. Não à toa, o clima é de otimismo geral. “Temos tudo para atender as expectativas e realizar um evento à altura do espaço, que ficou de primeiro mundo”, destaca Ichikawa, explicando que uma das preocupações constantes dos organizadores tem sido a de tentar transmitir para os kenjinkais (associações de províncias) que “o Festival não pertence ao Kenren e que o seu sucesso depende da mobilização de todos os envolvidos”.
Treinamento – Seguindo essa linha, Ichikawa conta que a Comissão Organizadora apresentou novas ideias com o intuito de suprir uma carência da maioria dos kenjinkais, a falta de voluntários. Uma das sugestões, conta Ichikawa, “foi treinar os voluntários que se interessam em ajudar determinado kenjinkai e, por outro lado, treinar os kenjinkais para que possam receber bem esses voluntários”. “Como resultado, mais de 20 kenjinkais mostraram interesse”, disse Ichikawa, explicando que, das 47 associações de províncias que compõem o Kenren, apenas a de Ibaraki estará ausente este ano. E justamente por falta de voluntários.
Outra novidade foi o acréscimo de mais 9 comissões de voluntários além das 9 já existentes e que atuarão na organização, execução e realização do evento. Como o tema deste ano é “Cultura e Esporte – Uma Vida Saudável”, os organizadores também designaram uma comissão específica para a área.
Gastronomia – Na gastronomia, um dos principais carros-chefes do evento e que deu origem ao Festival do Japão, foram realizadas diversas palestras com especialistas, entre eles a professora Lumi Toyoda. A ideia, conta Ichikawa, é “criar um elo de ligação entre os voluntários e o festival”, fazendo com que os voluntários não só participem como também entendam a realização do evento. “Já tivemos um grande avanço, mas ainda temos como evoluir mais”, disse Ichikawa, acrescentando que outro projeto é tentar incluir o entorno do São Paulo Expo, mobilizando as comunidades locais e alunos da rede pública. Uma experiência que deu certo no ano passado e que será repetida nesta edição é a parceria com a Cooperativa de Catadores de Resíduos Sólidos Sempre Verde, que funciona em um galpão no bairro de Vila Santa Catarina (zona Sul).
Em 2015, a Comissão Organizadora do Festival do Japão fez um acordo com a cooperativa que, caso fossem retiradas menos que 12 caçambas de lixo não reciclável durante os três dias do Festival, o Kenren doaria uma determinada quantia em dinheiro. No final, foram recolhidas apenas 9 caçambas contra 27 em 2014, ou seja, uma redução de 65%.
“Este ano queremos mostrar nossa força, que somos capazes e temos competência para realizar um evento que não fique atrás dos principais eventos realizados em São Paulo”, afirma Ichikawa, destacando que a expectativa é receber um público igual ou superior ao de 2014, considerado um marco para Ichikawa quando, mesmo com a concorrência da Copa do Mundo sendo realizada no Brasil, cerca de 180 mil visitantes visitaram a 17ª edição.
ALDO SHIGUTI
