Faleceu em Belém, na madrugada deste dia 6 de setembro, após longa enfermidade, o Senhor Teruo Sawada, aos 85 anos de idade. O sepultamento está marcado para hoje, às 16h, na capital paraense.
Teruo Sawada foi um dos destacados pioneiros da imigração japonesa em Tomé-Açu e desempenhou um papel de fundamental importância no desenvolvimento de diferentes setores da comunidade.
Chegou a Tomé-Açu (então chamada de Colônia Acará), juntamente com a família, aos 2 anos e 7 meses de idade, em 1930, integrando a segunda leva de imigrantes japoneses organizada pela empresa Nambei Takushuku.
A tragédia provocada pela malária também vitimou a família – os pais faleceram em 1937 e os quatro filhos sobreviveram com grande sacrifício, dedicando-se ao cultivo de hortaliças (o mais velho, Kowashi, tinha 21 anos).
Quando a vida parecia caminhar sem maiores sobressaltos, o rompimento da Segunda Guerra Mundial criou novos desafios. Além da paralisação das atividades da Companhia Nipônica, Tomé-Açu tornou-se área de administração direta do governo estadual (CETA – Colônia Estadual Tomé Açu) e graças à sua localização geográfica estratégica passou a abrigar japoneses de Belém, Parintins e Manaus enviados pelos governos locais.
Transformada numa espécie de campo de concentração, Tomé-Açu teve toda a produção agrícola local canalizada para a administração da CETA, cujos preços ficavam aquém dos praticados no mercado. O rompimento com essa situação teve como protagonista um grupo de jovens produtores que fundou a Associação Noomin Dooshi (União dos Lavradores).
A Associação fundada com 17 jovens, da qual faziam parte os irmãos Sawada (entre eles, Teruo), tinha cinco metas e, uma delas, era o estabelecimento de um mecanismo exclusivo da entidade como uma das medidas imprescindíveis para retomada dos direitos de comercialização e escoamento da produção até à cidade de Belém por via fluvial (que vinha sendo monopolizado pelo governo estadual).
A grande aventura, para tornar isso realidade, foi construir uma embarcação capaz de “romper” esse cerco governamental. Podem ser imaginadas as mais incríveis dificuldades enfrentadas por esses jovens agricultores: ninguém conhecia de construção naval, mas alguns tinham noções de carpintaria. O orçamento triplicou em relação à previsão inicial, o prazo de construção de 3 meses saltou para 7 meses. Fato é que, finalmente, em 18 de novembro de 1946, fazia sua primeira viagem a Belém, a embarcação “Universal”, de 18 toneladas, movida com o motor de um velho caminhão Chevrolet que estava encostado no depósito da Cooperativa. Não foi uma viagem fácil – sem estabilidade, sem motor apropriado, e outros problemas mecânicos, conta-se que foram 17 paradas até chegar ao destino (outros dizem que foram 23).
Entre os jovens cooperativistas, Teruo Sawada e Katsumasa Takaahashi foram os líderes da comissão de negociação com o poder governamental – eram versados tanto na língua japonesa como portuguesa (apesar de Teruo ter concluído apenas o 1º Grau da Escola da Colônia Japonesa de Nambei Takushoku).
Teruo Sawada, além de atuar com os companheiros para recompor a estrutura para a produção e comercialização (após a Segunda Guerra, a região entra numa fase de acelerado desenvolvimento por conta da pimenta-do-reino, que prosseguiu até o final dos anos de 1970), bem como das entidades voltadas para as atividades culturais e sociais.
Exerceu ainda atividades nas diretorias da Associação Cultural de Tomé-Açu, Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu, Federação de Beisebol de Tomé-Açu, Associação Cultural e de Fomento Agrícola de Tomé-Açu e Tomé-Açu Country Club.
É importante ainda destacar a recepção dada às famílias e jovens imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil a partir de 1955, dedicando contínuo esforço para sua independência.
O Bunkyo, por meio de sua diretoria, recentemente prestou homenagem ao senhor Teruo Sawada, enviando-lhe uma placa de Honra ao Mérito com os seguintes dizeres: “Na grande aventura que é a nossa vida, você acreditou que ela poderia ser melhor e lutou bravamente para isso acontecer. O brilho da força de sua liderança inspirou os jovens, fortaleceu a comunidade e aproximou os governos. Por tudo isso, nossa gratidão eterna e nosso reconhecimento afetuoso”.
