Pela primeira vez fora de São Paulo, autoridades e empresários das maiores empresas do Brasil e do Japão estiveram reunidos em Salvador, no mês de agosto, para a XIV Reunião do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), no bairro do Stiep.
Do lado brasileiro, participaram da XIV Reunião ainda os presidentes da Petrobras, Sérgio Gabrielli, da Vale, Murilo Ferreira, e do BNDES, Luciano Coutinho. Entre os executivos das empresas japonesas estavam o vice-presidente sênior da Mitsubishi Heavy Industries, Yukinori Horigushi, o diretor-executivo da Sumitomo Metal Mining, Ichiro Habe, o presidente do Banco de Tóquio, Toshifumi Murata. O evento também contou com a participação do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, o governador Jaques Wagner, do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga, o presidente do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, Masami IIjima e o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), José de Freitas Mascarenhas, Embaixador do Japão no Brasil Akira Miwa, Embaixador do Brasil no Japão Marcos Galvão, Luis Sabanay do Ministério da Pesca, Kenji Kiyohara, entre outros.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Nippon Keidanren, maior associação de empresários do Japão, que reúne quase 1,3 mil indústrias de médio e grande porte, além de 129 associações industriais. O objetivo do encontro é estimular o intercâmbio comercial, o fluxo bilateral de investimentos e o relacionamento entre empresas dos dois países. O comitê de cooperação, que se reuniu na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), colocou em pauta temas como a execução de projetos nas áreas de agricultura e exploração de petróleo em águas profundas, tecnologias avançadas e inovadoras nas mais diversas áreas e empreendimentos de infra-estrutura.
Segundo afirmou o governador Jaques Wagner (PT), durante a abertura da 14ª Reunião do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, que é grande a possibilidade de ampliação do intercâmbio econômico entre o país asiático e a Bahia. “Após as tragédias naturais que atingiram o Japão, o país procura novas parcerias ao redor do mundo para novos investimentos. Já temos fortes parcerias, a exemplo da Mitsui e da Firestone Bridgestone, empresas que geram muitos empregos em nosso estado. Nossa intenção é fortalecer essa parceria”, afirmou.
Para o governador baiano, o fato de Salvador sediar pela primeira vez o evento, que nunca foi realizado fora do eixo Rio e São Paulo, indica o potencial da região. “O Nordeste deixou de ser uma região que todos acham que é só de investimentos do setor de turismo, para se tornar a região que mais oferece oportunidades de diversos setores para investidores do mundo inteiro”, destaca o chefe executivo baiano.
Conforme o empresário japonês Masami Iijima, chairman do Comitê Empresarial Brasil-Japão do Nippon Keidanren e CEO da Mitsui & Co., que comandou uma delegação de cento e sessenta empresários do Japão, ficou surpreso com o que viu em Salvador, capital do Estado da Bahia. Ele notou que o Nordeste e o Brasil como um todo está se modificando, apresentando oportunidades como os que se observam na China. Ele afirmou que o Brasil sofrerá pouco com as atuais turbulências que se observam em todo o mundo, pois continua crescendo.
O executivo comentou as dificuldades na infra-estrutura de transportes do país, fazendo com que os produtores rurais não possam se aproveitar das melhores oportunidades de vendas. A Mitsui & Co. é detentora de 100% do capital da Multigrain, que está atuando ativamente no agrobusiness, indo desde a produção de cereais em cerca de 100 mil hectares na Bahia, Goiás e Maranhão, bem como a sua comercialização e pretendendo ampliar suas operações. Tomou conhecimento das oportunidades de participação nos projetos de melhoria da infra-estrutura de transportes no Brasil, notadamente ferroviária, que deverá ligar o Centro do ao Norte do País, ao mesmo tempo em que permite o escoamento de parte da produção para o Leste.
Destaca a importância de ter formas de acesso a outras terras cultiváveis, inclusive com parcerias com produtores brasileiros, pois a atual legislação não facilita a aquisição de imóveis rurais por grupos estrangeiros. Ao mesmo tempo, a Mitsui & Co. atualmente é uma das tradings japonesas mais dinâmica, liderando o consórcio que pode concorrer ao projeto de trem rápido entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, tendo como parceiros a Hitachi e a Mitsubishi Heavy, entre outras empresas, além da composição com grupos brasileiros envolvidos com a construção pesada.
A Mitsui & Co. é uma das maiores acionistas da Vale, pois tinha parceria com a MBR que foi incorporada nesta organização. Liderando o grupo empresarial japonês no Nippon Kendanren relacionado com o Brasil, ocupa uma posição estratégica no intercâmbio bilateral. Seria desejável que avançasse nos empreendimentos que permitam adicionar valor às commodities minerais e agrícolas com que estão operando, promovendo sua industrialização.
Com longa experiência nos trabalhos relacionados com o Brasil, a Mitsui & Co. conta com uma equipe de profissionais informados sobre as formas pelas quais pode incrementar suas operações, trazendo tecnologias e capital estrangeiro, e relacionamentos externos que tenham interesse nos produtos brasileiros. Seus presidentes vêm mantendo esta posição no Nippon Keidanren, tornando-se um importante interlocutor dos brasileiros.
O evento ocorreu após a recuperação das empresas nipônicas dos prejuízos causados pelo terremoto e pelo tsunami ocorridos em março, estimados em mais de US$ 300 bilhões. A corrente de comércio bilateral atingiu US$ 14,1 bilhões no ano passado, com ligeiro superávit do Brasil (quase US$ 159 milhões). Em 2010, o país exportou US$ 7,1 bilhões, em especial minérios e carnes, e importou do Japão US$ 6,9 bilhões, principalmente em máquinas, equipamentos e automóveis.
