Há cerca de 60 anos, de passagem pela região do Vale do Ribeira, um viajante japonês hospedou-se em uma pensão de Sete Barras.
Certa manhã, ao descer à margem do rio para lavar o rosto, caiu e se afogou.
Do Japão, sua família pediu ao monge da Nichirenshu (uma das doutrinas do Budismo) da mesma província de Fukui, que um dia rezasse no Brasil pela alma do filho falecido. Em 1954, Emyo e Myoho Ishimoto, recém-casados no Japão, vieram para São Paulo quando a noiva tinha apenas 18 anos. Emyo Ishimoto, obosan de Nichirenshu, procurou então Bunzo Kassuga, único adepto da Nichirenshu de Registro, e realizou o primeiro Tooro Nagashi, em 1955. Na cerimônia religiosa do primeiro Tooro Nagashi de Registro, foram soltos sete tooros, com sete palavras (Na-Mu-Myo-Ho-Ren-Gue-Kyo), uma em cada tooro, expressando o agradecimento à energia do Universo (Deus).
O monge Emyo Ishimoto e Bunzo Kassuga conseguiram a doação de um terreno da Prefeitura Municipal de Registro para construir o monumento em homenagem às vítimas de afogamento. O monumento foi erguido na Rua Miguel Aby-Azar, às margens do Rio Ribeira de Iguape, onde até hoje é realizada anualmente a Cerimônia Religiosa do Tooro Nagashi.
Em 1984, Emyo Ishimoto faleceu, aos 57 anos de idade. A viúva, Myoho Ishimoto, continuou com a tradição e pratica até hoje a cerimônia do Tooro Nagashi. Após o falecimento de Bunzo Kassuga, seu filho, Kesao, continuou organizando o evento, juntamente com Hajime Yoshimoto.
Três anos antes de falecer, Kesao Kassuga procurou a Associação Cultural Nipo-Brasileira de Registro (Bunkyo), para pedir apoio e assim dar continuidade ao Tooro Nagashi.
O Bunkyo, que já angariava recursos junto aos seus associados, passou a participar ativamente da organização do evento.
