Escrito por Aldo Shiguti
Se depender do mesa-tenista Hugo Hoyama, sua vitoriosa carreira deve ser eternizada.
E render futuros campeões para a modalidade. É que o atleta planeja criar o Instituto Hugo Hoyama, em que pretende ajudar no desenvolvimento do tênis de mesa no país. A semente já foi lançada. Por enquanto, quem está tomando a frente do projeto é sua irmã, Patrícia, que já iniciou conversações com a Prefeitura de São Bernardo do Campo através da secretária de Educação, Cleuza Rodrigues Repulho, e do secretário de Esportes, José Luiz Ferrarezi.
“A proposta é colocar o tênis de mesa nas escolas, nas públicas, num primeiro momento, e depois nas particulares. A ideia é não só ensinar o jogo, propriamente dito, como também aspectos pedagógicos e disciplinares. Ou seja, trabalhar na formação do atleta e do cidadão”, disse Hoyama em entrevista ao Jornal Nippak.
Segundo ele, já surgiram várias escolas interessadas em adotar o projeto. “Primeiro estamos buscando parceiros para depois tentar captar recursos”, explicou Hoyama, que parte do princípio que “toda criança gosta de pingue-pongue”. “É um projeto mais para a frente, que pretende me dedicar com mais afinco quando puder conciliar com os treinos”, revela o mesa-tenista, acrescentando que nem bem teve tempo de comemorar a medalha de ouro conquistada nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara – a décima de ouro, que o torna o segundo brasileiro em número de conquistas na história dos Jogos Pan-Americanos – e já vai encarar uma maratona de jogos que inclui o Campeonato Brasileiro, disputado de 27 de outubro a 1º de novembro, em Fortaleza, no Ceará, a Copa do Mundo por Equipes, de 3 a 6 de novembro, na Alemanha, e os Jogos Abertos do Interior, de 12 a 18 de novembro, na cidade de Mogi das Cruzes.
Mas Hoyama não tem do que reclamar. Ainda no embalo da conquista nos Jogos Pan-Americanos, o mesa-tenista foi recepcionado pelo prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), com direito a desfile em carro aberto pela Rua Marechal Deodoro (a principal da cidade) e participação como convidado na inauguração de um ginásio poliesportivo.
Desfile – Para falar a verdade, não imaginava que fosse ter uma recepção assim, maravilhosa. Foram momentos muito especiais para mim, desde desfilar como porta-bandeira da delegação brasileira até conquistar a medalha de ouro, que era nosso principal objetivo nos Jogos Pan-Americanos. Como disse em outra entrevista para o próprio Jornal Nippak quando estava em Guadalajara, são momentos que ficarão guardados para sempre na minha memória”, contou Hoyama, acrescentando que “é um reconhecimento por tudo que fiz e ainda faço pelo esporte tênis de mesa do Brasil”. “E o mais legal é que estou sendo valorizado ainda em atividade”, disse o atleta, que reconhece que, “se não fosse a medalha de ouro em Guadalajara, nada disso teria acontecido”.
“Da forma que aconteceu, decidindo o ponto para a equipe, foi ainda mais inesquecível. Apesar de ter perdido a semifinal e a partida de duplas na final, jamais perdi a confiança. Aliás, não me lembro de ter jogado com tanta vontade, gritando e vibrando a cada ponto”, revelou Hoyama, afirmando que a conquista renovou seu ânimo.
Garotinho – “Estou me sentindo como um garotinho”, disse o atleta, de 42 anos. Apesar de garantir que não pretende mais tocar no assunto “aposentadoria” como fez em outras duas ocasiões – no encerramento dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, e no seguinte, nos Jogos Olímpicos de Pequim – Hoyama conta que Toronto 2015 ainda é uma realidade distante. “Quero dar um passo de cada vez. Primeiro tenho que pensar nos Jogos Olímpicos de Londres, mas antes tenho que passar pela seletiva e depois pelo Pré-Olímpico. Depôs veremos o que vai acontecer”, explicou Hoyama antes de embarcar para Alemanha, onde disputa a Copa do Mundo por Equipes ao lado de Gustavo Tsuboi, Thiago Monteiro e Cazuo Matsumoto.
“Para entramos na chave principal, temos que passar por uma espécie de qualifying, também chamada de Copa Intercontinental, que reúne mesa-tenistas da América Latina, América do Norte, Oceania e África”, conta Hoyama. Se conquistar a vaga, o Brasil disputará o título com outras 12 seleções, incluindo Japão e China.
De volta da Alemanha, Hoyama representará São Bernardo do Campo nos Jogos Abertos do Interior, que serão disputados em Mogi das Cruzes. “Vai ser bom porque estarei com ritmo de jogo. Este ano consegui vencer a modalidade individual nos Jogos Regionais e acredito que agora dá para melhorar o 5º lugar geral obtido no ano passado. A cidade passa por um bom momento no esporte”, disse Hoyama, lembrando que, em 35 anos de atividade, disputou 25 Jogos do Abertos do Interior, sendo 20 por São Bernardo, dois anos por Santos e outros três por Suzano. “Comecei com 14 anos, mas disputarei como se fosse o primeiro”, avisa Hoyama.
