Escrito por Célia Abe Oi Ter, 29 de Novembro de 2011 12:15
Representantes de três entidades nipo-brasileiras estiveram reunidos com jornalistas, no último dia 16 de novembro, para relatar sobre a participação do Brasil na 52ª Kaigai Nikkeijin Taikai (Convenção dos Nikkeis Residentes no Exterior).
O evento, realizado em Tóquio, contou com a presença de delegações de cerca de 25 países das Américas (Norte, Central e Sul), Ásia e Europa. A representação brasileira foi a mais numerosa e somou cerca de 50 participantes.
Akinori Sonoda (presidente do Kenren), Yoshiharu Kikuchi (presidente do Enkyo) e Dr. Masato Ninomiya (presidente do CIATE e vice-presidente do Conselho Deliberativo do Bunkyo), durante a entrevista, otimistas com as manifestações, avaliaram que “chegou o momento de ser parceiro do Japão, em igualdade de condições”.
“Não fomos para fazer pedidos ao governo japonês, até porque ele não está em condições de atendê-los, mas para apresentar os nossos esforços e a solidariedade de todos nós para ajudá-los. Acho que esse acontecimento pode marcar uma nova fase de relacionamento”, disse Sonoda.
A grande ênfase desta Convenção, relatou, foi a ajuda prestada por todo o mundo ao Japão diante da catástrofe provocada pelo terremoto, tsunami e vazamento da usina nuclear em 11 de março.
A delegação brasileira fez relato sobre o resultado de Campanha de Arrecadação às Vítimas do Terremoto no Japão, realizada entre cinco grandes entidades nipo-brasileiras, de forma conjunta entre os presidentes do Bunkyo, Kihatiro Kita; do Kenren, Akinori Sonoda e do Enkyo, Yoshiharu Kikuchi. (Veja detalhes desse tema na matéria anterior)
Durante toda a Convenção, em várias ocasiões, bem como posteriormente, quando das visitas a vários setores do governo relacionados com a América Latina, afirmaram, houve demonstrações efusivas de gratidão. “A tônica dessas manifestações dá conta de que essa colaboração dada pelos nikkeis ao Japão só é comparável ao ocorrido logo depois da Segunda Guerra, embora, desta vez, os valores envolvidos sejam maiores”, destacou o presidente Sonoda.
Isenção recíproca de vistos
Nessa passagem da comitiva brasileira, um dos encontros foi com Osamu Fujimura, chefe do gabinete do atual primeiro-ministro, Yoshihiko Noda. De acordo com Dr. Ninomoya, Fujimura presidiu a Associação de Intercâmbio Japão-Brasil e tem grande conhecimento sobre nosso país. E, por conta disso, um dos assuntos tratados referiu-se à isenção recíproca de visto entre Brasil-Japão.
“Temos notícias de que as tratativas entre os ministérios de relações exteriores dos dois países estão adiantadas referente ao visto de negócio”, afirmou Dr. Ninomiya, reivindicando maior abrangência nessa reciprocidade. “Essa isenção recíproca deveria abarcar também o visto para turismo, pelo período de três meses pelo menos. Sabemos que, após o terremoto, o número de turistas no Japão reduziu-se drasticamente, tanto que a própria Agencia Nacional de Turismo pretende investir 1,100 bilhões de ienes para incrementar esse setor, oferecendo para todo mundo, entre outras facilidades, 10 mil passagens ao Japão. Existe uma série de receios, como o aumento de ilegais no Japão, mas isso poder ocorrer em qualquer situação. Creio que essa facilidade de visto incentivará o fluxo de turistas brasileiros ao país”.
Entre outros assuntos tratados durante a 52ª Convenção, o presidente do Enkyo, Yoshiharu Kikuchi, tratou sobre a questão do autismo na comunidade nipo-brasileira. Informou que pretende entrar em contato com entidades especializadas no Japão para levar métodos adequados de tratamentos desses pacientes sem a utilização de medicamentos.
Akinori Sonoda, presidente do Kenren, por sua vez demonstrou grande preocupação com a diminuição de verbas provinciais japonesas destinadas aos bolsistas. Nesses 50 anos, desde que foi iniciado este sistema, cerca de seis mil nikkeis foram estudar na província de origem seus familiares. “Há alguns anos, essa verba vem sendo reduzida e, nossa reivindicação é que esse sistema seja restaurado”, informou.
Também, pediu mais apoio para a divulgação do ensino da língua japonesa tendo com um dos fatores o incremento para a vinda de professores do Japão.
Já o presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita, entre outros temas, apresentou a proposta de a entidade atuar com um facilitador no contato das pequenas e médias empresas japonesas interessadas em estabelecer negócios com as brasileiras.
Ao que, na coletiva, explicou Dr. Ninomiya: “pretendemos atuar, por meio da Comissão de Relações Empresariais, como uma espécie de balcão de empresas, fornecendo informações, promovendo encontro de empresários, enfim, colaborando para o encaminhamento desses contatos para que possam entabular suas negociações”.
Proposta ao que o presidente Sonoda acrescentou que “a intenção é formar uma espécie de comissão em que as entidades, unidas, possam colaborar para intensificar esses negócios entre Brasil-Japão”.
Destacando ainda que, “o maior troféu que conquistamos nessa Campanha e viagem, foi a aproximação que conseguimos estabelecer entre nós e que será importante para maior aproximação das entidades. Até alguns anos atrás, cada uma atuava isoladamente. Essa atuação nos tornou mais unidos”.
